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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Maria de Fátima, queres casar comigo?

Este é um título de ficção, mas a partir de hoje poderia perfeitamente ser realidade, a depender das circunstâncias. O Presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, acaba de promulgar a lei que institui o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E não no modêlo civil adotado para legalizar as uniões homosexuais em avançados países europeus como a França, a Inglaterra, a Suiça ou a Dinamarca. É casamento mesmo e terá este nome. Contemplado quem é a favor, estrebuchando quem é contra, o facto é que o presidente português deu ao país o que o país queria e retirou da (extrema) esquerda um dos diplomas que fermentam o seu crescimento. Lá se foi a polémica sobre o aborto, o casamento gay, falta agora o quê? Já agora, como fica no acordo ortográfico homosexuais? Leva mais um S ou o quê? Escrevam aí...
Num discurso suscinto, que mais serviu para fundamentar a promulgação em si do que justificar uma posição anterior sobre o tema, Cavaco Silva criticou o tempo e a energia desperdiçada num assunto que, diante de uma crise financeira e suas consequências para o país, seria de segunda importância. A promulgação, segundo o presidente, foi para não contribuir com o arrastar de uma polêmica que poderia dividir o país em um momento delicado como agora. O veto dividiria mais do que os efeitos práticos desta promulgação? Haver vamos, mas Cavaco pareceu-me "puxar a orelha" dos que alimentaram a discussão, e principalmente dos que eram contra e contavam com o veto presidencial, mas não tiveram a habilidade de encontrar o consenso sobre o diploma, nem mesmo de copiar os modêlos mais moderados adotados na maioria dos países europeus onde a união civil entre homosexuais é possível.
O nome "casamento" fez correr muita tinta e isto acaba aqui, quis ele dizer. Em apenas sete países em todo o mundo o casamento gay se dá nos moldes em que foi aprovado hoje em Portugal. Cavaco Silva lembrou isso, ao entrar para a história do país e do mundo da língua portuguesa, sem se reter nos moralismos derrotados em outras instâncias ou em posições pessoais.
Amigos brasileiros, amigas brasileiras, já podem começar a atiçar aí a torcida. Se o Manuel e o Joaquim já podem, a Maria e a Fátima também, estão esperando o quê? Não será à falta de leis que seremos chamados de retrógrados. A fidelidade e a monogamia são conceitos pouco delineados nessas leis mesmo, ficando mais para os bastidores da individualidade e conciência de cada um! O cumprimento das leis e o respeito mútuo são para serem conquistados, aqui, aí e em qualquer lugar do mundo, no que diz respeito ao casamento e às uniões civis, mesmo na forma mais tradicional que conhecemos, entre sexos diferentes.

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